SUS avalia inclusão de medicamento de alto custo para tratamento de nanismo
Publicado por Juliana Silva.
Publicado em 30 mar 2026, 10h14 | Atualizado em 30 mar 2026, 10h14

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) abriu consulta pública para avaliar a inclusão do medicamento Voxzogo no Sistema Único de Saúde (SUS). A participação está disponível até segunda-feira (30) e pode ser feita por qualquer cidadão por meio do portal Gov.br.
O remédio é indicado para o tratamento da Acondroplasia, considerada a forma mais comum de nanismo. O medicamento pode ser utilizado por crianças a partir de seis meses de idade, desde que ainda estejam em fase de crescimento ósseo.
Atualmente, devido ao alto custo e à ausência de cobertura obrigatória, muitos pacientes conseguem acesso ao tratamento apenas por meio de ações judiciais. A substância ativa, a vosoritida, atua estimulando o crescimento dos ossos, o que pode reduzir complicações associadas à condição e ampliar a autonomia das crianças.
A decisão final sobre a incorporação do medicamento dependerá da análise técnica da Conitec, que considera critérios como eficácia, segurança, custo e impacto para o sistema público de saúde.
Audiência pública
A acondroplasia — forma mais comum do nanismo, que afeta o crescimento ósseo e resulta em baixa estatura — foi tema da audiência pública que aconteceu no Senado nesta sexta-feira (13). Durante o debate, especialistas e ativistas defenderam a inclusão de um medicamento para crescimento ósseo em crianças entre os fármacos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Vários convidados do debate apontaram a eficiência do medicamento voxzogo (cujo princípio ativo é a vosoritida) no tratamento da acondroplasia. Eles defenderam a inclusão desse remédio entre os fármacos oferecidos pelo SUS.
Segundo os especialistas presentes na reunião, o voxzogo é um medicamento injetável utilizado para estimular o crescimento ósseo em crianças, a partir de seis meses de idade, cujas epífises (extremidades de ossos longos) não fecharam.
A endocrinologista pediátrica Sabliny Carreiro ressaltou que o tratamento com voxzogo é indicado para quem tem a confirmação genética e o diagnóstico comprovado de acondroplasia.
Ela disse que, em seu consultório, tem constatado progressos nos pacientes que utilizam o medicamento, com melhorias visíveis de deformidades ósseas dos joelhos, além de desenvolvimento físico, crescimento e reforço do tônus.
Alto custo e SUS
Sabliny observou que, apesar dos avanços obtidos com a medicação, o acesso ao remédio no Brasil tem ocorrido muitas vezes por meio da “judicialização” (quando se recorre à Justiça para obrigar o SUS a fornecer o fármaco).
O voxzogo, que atualmente não é oferecido pelo SUS, é um medicamento de alto custo: o gasto anual com esse fármaco, que varia conforme o paciente, pode ser de aproximadamente R$ 1 milhão.
