Com leilão da Compesa, Raquel Lyra mostra que gestão se faz com decisão, trabalho e entregas
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Publicado em 19 dez 2025, 10h12 | Atualizado em 19 dez 2025, 10h12

A governadora Raquel Lyra chegou à Bolsa de Valores de São Paulo nesta quinta-feira, 18 de dezembro, sabendo exatamente o que estava comprando com o risco político que assumiu. Ao bater o martelo da concessão parcial da Compesa, garantiu R$ 23,2 bilhões em investimentos e cravou no calendário administrativo do Estado um feito que dificilmente será ignorado nos próximos ciclos eleitorais. O leilão, arquitetado com apoio do BNDES e cobiçado por grupos internacionais, foi resultado de uma costura iniciada ainda nos primeiros meses do seu governo, quando pouca gente acreditava que o modelo avançaria diante das resistências históricas à presença privada no setor.
O Estado se comprometeu com metas de universalização e prazos longos de execução, mas também transferiu a operadores de mercado o desafio de transformar promessas em água nas torneiras e esgoto tratado. Ainda assim, o simbolismo político do ato não passa despercebido. Há décadas o tema do saneamento é explorado em campanhas e relegado na prática a planos de governo esquecidos em gavetas. Lyra, ao empurrar a pauta para o centro do debate, reposiciona sua gestão como uma que toma decisões, mesmo quando estas incomodam setores organizados ou desagradam parte do funcionalismo.
A governadora não disfarça que enxerga nessa operação um modelo para outras áreas. Há um traço de cálculo estratégico na forma como ela conduz o discurso: prioriza o impacto social do projeto e deixa em segundo plano os interesses envolvidos nos bastidores da licitação. O desenho institucional permite que ela sustente uma narrativa de modernização sem precisar se comprometer diretamente com os efeitos mais sensíveis da concessão, como reajustes tarifários ou demissões. Para o público externo, a imagem transmitida é a de uma gestora que entrega. Internamente, a movimentação parece pavimentar novas alianças e reposicionar o governo em meio a uma disputa federativa por protagonismo no Nordeste.
Neste tabuleiro, Raquel Lyra transforma um contrato de saneamento em ativo político. A gestão dela, que até pouco tempo sofria críticas por falta de entregas visíveis, encontra agora um ponto de inflexão. Não se trata apenas de uma vitória administrativa, mas de uma virada de percepção. O leilão da Compesa é, para sua equipe, o primeiro grande gesto de governo com potencial de reorganizar forças no campo político local. E talvez esse seja o movimento mais calculado de todos.
Fonte: FalaPE
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