Nova regra do frete evita greve de caminhoneiros, mas ameaça encarecer produtos

Nova regra do frete evita greve de caminhoneiros, mas ameaça encarecer produtos

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Publicado em 23 mar 2026, 10h49 | Atualizado em 23 mar 2026, 10h49

A nova medida provisória do governo que endurece a cobrança do piso mínimo do frete rodoviário e ajudou a coibir as ameaças de greve dos motoristas em meio ao aumento do preço do diesel nos postos pode encarecer o preço final dos produtos para os consumidores.

O aumento do frete será repassado ao longo da cadeia de distribuição e logística. “A imposição de um preço mínimo pode levar ao aumento dos custos, elevando os preços de produtos ao consumidor final”, avalia Adenauer Rockenmeyer, conselheiro do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo).

A manutenção do lucro do caminhoneiro onera diretamente o comprador. “Se o caminhoneiro não vai ter uma margem de lucro inferior, o consumidor vai ter o repasse com o valor adicionado dos custos”, afirma Hélder França, professor do NEPAT (Núcleo de Estudos e Pesquisas Avançados em Tributação) da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras).

A indústria critica a atuação do governo e aponta prejuízo à competitividade do país. Roberto Muniz, diretor da CNI (Confederação Nacional da Indústria), diz que o combustível representa até 40% dos custos logísticos. “Aumentos abruptos encarecem o frete, elevam o custo dos insumos e os preços finais”, completa.

O governo federal estima um impacto baixo sobre a inflação geral. A projeção oficial aponta que, mesmo com o petróleo a US$ 100, a inflação acumulada do ano subiria apenas 0,58 ponto percentual, indo de 3,6% para 4,18%.

Entenda a medida

A MP (Medida Provisória) 1.343 prevê punição para quem não pagar o valor mínimo aos caminhoneiros. O texto aumenta a fiscalização sobre empresas contratantes de transporte rodoviário de cargas para garantir o cumprimento das regras.

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) define os valores do frete. A agência ajusta a tabela sempre que o preço do diesel varia mais de 5%, para cima ou para baixo.

O descumprimento das regras gera multas de até R$ 10 milhões. A falta do código identificador da viagem gera multa inicial de R$ 10.500. Reincidentes podem perder o registro de atuação por até dois anos.

Iniciativas inibiram a ameaça de greve dos caminhoneiros. Diante das medidas, uma assembleia convocada para a noite de sexta-feira no Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista) definiu que a categoria vai aguardar uma semana para avaliar os efeitos das investidas e negociações com o governo.

Fonte: UOL

Juliana Silva

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