Queda do Tigrinho: Operação bloqueia R$ 11 milhões e desmantela máfia das apostas em 7 estados

Queda do Tigrinho: Operação bloqueia R$ 11 milhões e desmantela máfia das apostas em 7 estados

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Publicado em 07 maio 2026, 10h44 | Atualizado em 07 maio 2026, 10h44

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou operação nas primeiras horas desta quarta-feira (6/5) para desmantelar um sofisticado esquema criminoso que movimentou R$ 11 milhões em fraudes dentro de plataformas de apostas virtuais, como o chamado “Jogo do Tigrinho”. A ação, coordenada pela 18ª Delegacia de Polícia de (Brazlândia), cumpriu mandados de busca e apreensão em sete unidades da Federação, além do bloqueio de quantias milionárias nas contas dos investigados.

A operação, que cruzou as fronteiras do Distrito Federal, cumpre mandados em Goiás, São Paulo, Maranhão, Paraíba, Rio de Janeiro e Bahia. O alvo central da investigação é uma estrutura piramidal de ilusão: influenciadores digitais que, sem profissão definida, ostentavam fortunas nas redes sociais enquanto induziam milhares de seguidores ao prejuízo financeiro. Ao todo, nove pessoas foram alvo das investigações, suspeitas de integrar a organização criminosa, com divisão clara de tarefas e atuação coordenada em diferentes regiões do país.

As investigações começaram após a identificação de atividades suspeitas ligadas à divulgação de ganhos irreais em plataformas de apostas. No epicentro do escândalo em Brazlândia, estão Roberth Lucas, 24 anos, e Eduarda Cavalcante, 21. Para os seguidores da dupla, a rotina era um sonho: resorts à beira-mar com águas cristalinas, maços de notas de R$ 100 exibidos diante das câmeras, passeios de lancha, compras e roupas de grife, pagas em espécie.Em um dos vídeos analisados pela polícia, Roberth aparece realizando o pagamento de uma compra de alto valor utilizando diversas notas de R$ 100, exibidas de forma ostensiva aos seguidores.Lucro de mentiraEntretanto, por trás do brilho do Instagram, a realidade era outra. De acordo com os investigadores, o casal utilizava “contas demo” (demonstração) fornecidas pelas plataformas. Nessas contas, os ganhos são programados para serem astronômicos, criando a falsa percepção de que ganhar dinheiro era fácil. Ao clicarem nos links fornecidos pelo casal, as vítimas entravam em plataformas manipuladas onde o algoritmo garantia a perda do capital investido.Segundo a polícia, o esquema funcionava de maneira altamente estratégica. Os envolvidos utilizavam tecnologia para ocultar suas identidades, como servidores proxy, dificultando o rastreamento das operações. As investigações tiveram um marco importante em julho de 2024, quando foi realizada uma busca na residência do casal, em Brazlândia.A partir desse ponto, a polícia conseguiu identificar uma rede mais ampla, com atuação interestadual e conexões com plataformas estrangeiras. Ficou evidenciado que havia uma hierarquia dentro do grupo, com líderes responsáveis pela estratégia e recrutamento, operadores encarregados da execução técnica das fraudes e influenciadores, que atuavam na captação de vítimas. (Íntegra, clique aqui).

Juliana Silva

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